A Arena d´Évora tornou a abrir portas para um cartel inicialmente anunciado de alta competição, quis o destino e má sorte que nenhum dos cavaleiros inicialmente anunciados pudessem comparecer, sendo substituídos por Rui Salvador em vez de António Telles, Gilberto Filipe em vez de Francisco Palha e Miguel Moura a substituir o seu irmão João Moura Jr.
Se há primeira vista poderia o aficionado perder o interesse face à terna de cavaleiros, o que é certo é que todos deram o melhor de si e acabaram por proporcionar uma boa tarde de toiros.
Completavam o cartel o habitual grupo de Forcados Amadores de Évora e os Forcados Amadores de Coruche em ano de comemoração dos seus 50 anos.
Anunciados ainda os temíveis toiros da ganadaria Palha que há alguns anos para cá não marcavam presença na cidade de Évora.
Abriu praça o maestro Rui Salvador… e como é difícil abrir praça em Évora perante um publico frio e exigente. Diante um toiro de 520kg iniciou bem a função com 3 bons ferros compridos. Nos curtos a lide foi exigente perante um oponente que pedia que lhe pisassem terrenos de compromisso. O cavaleiro de Tomar teve bem na brega dando garupa ao toiro com ladeios justos e cravou de frente com correção, destacando o segundo muito bem rematado.
No seu segundo toiro de 556Kg, Rui Salvador não teve por diante muito “matéria prima” e dadas as escassas condições de lide, o cavaleiro teve que se empregar num toiro que descaía para terrenos dos curros. Foi notório o esforço do cavaleiro em colocar o toiro em sorte na sua maioria das vezes sem recurso aos bandarilheiros, tendo o merecido reconhecimento do publico.
Gilberto Filipe que há umas semanas se insurgiu num live do site Tauronews com o facto de só terem oportunidades para tourear aqueles que têm determinados empresário/gestores de praças e determinados conhecimentos, teve mais uma oportunidade de mostrar o que vale. Com créditos firmados na equitação de trabalho, serve certamente esta de base para o seu toureio. Iniciou a sua primeira lide diante de um toiro reservado de 580kg. Colocou dois compridos em su sitio e um descaído. Nos curtos apostou em sortes frontais pisando terrenos de compromisso, pena o toiro não perseguir a montada após a colocação da ferragem. Destaque para o quinto ferro de praça a praça com o toiro encostado na trincheira, com o cavaleiro a “partir para cima” provocando investida e colocando um belíssimo ferro.
Na sua segunda atuação coube em sorte um Palha de 530Kg, que até prometeu na ferragem comprida, mas que veio a menos na lide dos curtos. Fixando-se no centro do “ruedo” com o cavaleiro a aproveitar a escassa mangada que dava quando citado para colocar o ferro.
Miguel Moura uma promessa em crescendo teve uma boa passagem por Évora, destacando-se no seu segundo toiro. Era evidente que vinha apostado em justificar a sua presença assumindo o peso dessa responsabilidade executando duas boas “porta gaiola”. No seu primeiro toiro o mais leve da corrida com 515Kg teve bons pormenores nos curtos colocando o toiro em sorte com ladeios justos e cravando de frente. Faltou um pouco de transmissão do cavaleiro com as bancadas para a lide ter o devido reconhecimento do publico.
No último toiro da tarde Miguel Moura levou emoção ás bancadas. Perante o melhor toiro do lote de 585Kg que valeu a chamada do maioral à arena no final, o cavaleiro de Monforte “colocou a carne do assador” e desenvolveu uma lide à Moura. Pisou terrenos de compromisso, colocou a montada na cara do toiro com ladeios justo que valeram uma queda sem consequências para cavaleiro e montada, que só deu ainda mais alento a Miguel Moura para triunfar com ferros frontais de criar algum alvoroço nas bancadas.
No que respeita à forcadagem, para mim estes foram realmente os grandes triunfadores. Pegas duras, aliás muito duras com Évora a pegar todos os toiros à primeira tentativa mostrando muito eficácia e coesão no seio do grupo.
Por sua vez, os forcados de Coruche a serem mais fustigados, não por falta de competência, mas pelas dificuldades impostas pelos toiros do seu lote.
Pelos Forcados Amadores de Évora pegaram João Madeira, Dinis Caeiro e José Maria Caeiro todos ao primeiro intento.
Pelos forcados de Coruche pegaram Tiago Gonçalves que foi dobrado na sua primeira tentativa após uma colhida muito dura, por Fábio Casinhas que pegou à terceira tentativa. António Tomás pegou à segunda tentativa com uma excelente primeira ajuda e fechou praça o consagrado João Prates à segunda tentativa.
Quanto aos toiros enviados pelo ganadero João Folque, todos eles de boa apresentação destacando-se sem dúvida o último da corrida.
Para terminar uma nota para a dupla de campinos Mário Gordo e Osvaldo Pinto pela forma eficaz e célere na recolha dos toiros contribuindo para o bom ritmo da corrida.
Os toiros regressam à Arena d´Évora dia 30 de Outubro para encerrar a temporada eborense com os cavaleiros Luís Rouxinol, Miguel Moura e João Salgueiro da Costa. As pegas estão a cargo dos forcados amadores de Santarém e Évora e serão lidados toiros da histórica ganadaria de Couto de Fornilhos.
Luís Gamito