Foi uma agradável tarde de toiros a que se viveu no passado domingo na Monumental do Montijo, sob um clima frio e ventoso mas com bom ambiente.
Cerca de meia casa para uma corrida que se anunciava de tira-teimas, que a meu ver não se enquadrava no cartel nem com a temporada que cada qual dos três artistas intervenientes tem vindo a fazer, e saí de praça ainda com mais certeza do meu pensamento e de muitos que lá estavam, que o tira-teimas era afinal uma certeza já adquirida.
O rejoneador Andrés Romero teve uma primeira lide sem grandes opções. Enfrentou um toiro de Alves Inácio distraído e com pouca qualidade. Resolveu como pôde deixando a ferragem da ordem com regularidade. No seu segundo enfrentou um toiro mais colaborador e que já deixou o rejoneador praticar o seu tipo de toureio de muita comunicação com o público, cravando ferros a quiebro rematados com piruetas com a estrela da sua quadra Guadjiro.
Luís Rouxinol Jr jogava em casa e sentia-se o carinho do público. Confirmou a grande temporada que tem vindo a fazer e enfrentou o pior e o melhor do curro. Recebeu ambos os toiros à Porta Gaiola de forma segura, espetacular e eficaz. No primeiro demonstrou os dotes de lidador e soube contrariar as dificuldades do seu oponente, distraído e tardo nas reuniões, cravando ferros de verdade com o Girassol sempre que o toiro o deixou pisar os terrenos. No segundo foi autor da lide da tarde. Bem do inicio ao fim, lidando na verdadeira acepção da palavra, cravando e remando as sortes como mandam as regras. Uma atuação completa que o público ovacionou de pé! Venceu por unanimidade o troféu para a melhor lide a cavalo.
António Prates enfrentou o lote mais cómodo da tarde. Frente ao terceiro da corrida, teve a sua melhor atuação nesta tarde com o cavalo Formigo, cravando bons ferros e rematando com bonitos ladeios. Mudou de montada e a lide foi a menos consentido um forte toque na montada, redimindo-se no último ferro. Ainda assim boa atuação! No segundo construiu uma lide de menos a mais, com o oponente a transmitir menos mas sem oferecer grandes dificuldades, chegando mais ao público na sua parte final com o cavalo Cartier, cravando um palmo em sorte de violino e rematando com outro por dentro.
Boas pegas nessa tarde de todos os grupos em praça, Ribatejo, T.T Montijo e Amadores de Montijo.
Pelos Amadores do Ribatejo Dário Silva foi dobrado por Rafael Costa; e João Pedro Oliveira peou à segunda. Pelos da T.T. Montijo, pegaram Armando Costa e Luís Carrilho, ambos à primeira. Pelos Amadores de Montijo, José Pedro Suiças concretizou à segunda e Hélio Lopes à primeira.
Venceu a pega feita ao quinto da tarde, dos forcados da T. T. Montijo, pelo forcado Luís Carrilho, ou seja a a tarde foi dos "Luíses"!
Os toiros bem apresentados foram de jogo fácil, excepto o primeiro e o segundo. Destaque para o quinto com chamada do ganadero a praça.
Texto e fotografia: José Belchior
